O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
INTRODUÇÃO
A criança possui movimentos inesperados, seu corpo tem atitudes diferentes, ela pula, se arrasta, engatinha, caminha, corre, etc...
Para a criança, seus movimentos possuem um contexto significativo. Tudo ela faz com um objetivo, mesmo não percebendo.
Como a criança se sente no primeiro dia de aula? O que ela espera da escola? Do professor, dos colegas? Gosta de ficar sentada sem se mexer? O que ela gostaria de fazer?
A função da escola é fazer com que a criança aprenda, se torne um cidadão consciente de suas responsabilidades, preparada para o mundo, para enfrentar o mundo com dignidade.
O papel da Educação Física tem alguma contribuição nesse sentido?
1. PEDAGOGIA DO MOVIMENTO NA ESCOLA DE PRIMEIRA INFÂNCIA
A pré-escola é um lugar que, pelo nome, deve preparar crianças para a escola. Reduzir seu papel a isso, no entanto, seria uma pena, pois a primeira infância é um período da vida onde se pode viver muito intensamente.
Os pais levando seus filhos às escolas, os pais não têm expectativa que eles aprendam muita coisa, sabem que serão bem alimentadas e cuidadas. Percebe-se que a hipocrisia de nossa sociedade é muito grande. Nega-se aos pais condições dignas de trabalho que lhes permitam alimentar bem seus filhos. De modo que possam ser independentes e ter uma vida digna.
ATIVIDADE CORPORAL E BRINQUEDO
Uma professora recém-contratada e não preparada corre o risco de atrapalhar na educação. Risco corre mais ainda a criança, pois se traumatizam com a primeira vez na escola, pelo fato de ter medo do novo, fazem da escola um bicho de sete cabeças, mas acabam se acostumando. O que se deseja é que a autonomia dela se estenda por longo tempo, até a fase adulta.
Uma criança bloqueada no seu espaço de ação, graças, muitas vezes, à ansiedade de pais e professores por alfabetizá-la, acaba aprendendo a escrita e a leitura que lhe impõem, mas com sérias dificuldades em estabelecer, entre essa aprendizagem e o mundo, um elo de ligação.
Emilia Ferreiro, entre outros, que a alfabetização se aprende desde sempre, independentemente de professor. Ou seja, nesse processo o professor teria um papel importante, mas não exclusivo. A alfabetização deve ser um processo que a criança realiza, ajudada pela escola. A escola tem a clarivência de incluir nesse processo a atividade física e o jogo.
Se a Educação física e o jogo têm contexto significativo para a criança, são importantes para seu desenvolvimento.
2. O DESENVOLVIMENTO MOTOR
O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Miguel Sérgio afirma que o homem é um ser carente, pois lhe falta parte do que precisa para compor a vida.
O que se espera é que as crianças possam, da melhor maneira, apresentar em cada período da vida uma boa qualidade de movimentos, de acordo com certos modelos teóricos apresentados.
A mão que pega possui muitos recursos, mas o que tem de ser pego está fora dela, daí o sujeito precisar sempre completar-se no mundo, que possui a parte que lhe falta.
A Educação Física deve atuar como qualquer outra disciplina da escola, e não desintegrar-se dela. As atividades motoras devem ser, mas deve estar claro quais serão as conseqüências disso do ponto de vista cognitivo, social e afetivo.
UMA VIAGEM CHAMADA VIDA
Ao mudar de um ambiente acolhedor para outro, perturbador, não desejaria voltar? Acontece que a vida é uma viagem sem volta, e não há outra possibilidade que não adaptar-se ao mundo extra-uterino, com todos os problemas que isso acarreta. Esse conflito entre o desejo inconsciente de voltar para a barriga de nossa mãe e a necessidade de nos individualizarmos no mundo.
Por causa dessa concepção de que a escola só deve mobilizar a mente, o corpo fica reduzido a um estorvo que, quanto mais quieto estiver, menos atrapalhará.
O contato com o seio da mãe é a primeira forma de conhecimento que ela estabelece com outro ser além dela e uma de suas experiências afetivas, constituindo também um exercício da habilidade motora de sugar.
Vencida a primeira etapa da viagem, a criança parte para outras, mais arriscadas, mais distantes, entretanto, carrega todas as conquistas da primeira.
Se observarmos com atenção uma criança muito pequena em seus intentos para pegar objetos ao seu redor, verificaremos a dificuldade que alcançar certos objetos provoca. Com alguns objetos o êxito é imediato; com outros, haverá uma sucessão de fracassos até que ela obtenha um bom resultado.
O especialista em Educação Física deverá ser um estudioso da ação corporal . o que significa isso? Quando alguém pega uma bola, já não existem mão e bola, mas uma fusão das duas correntes em algo chamado ação.
A adoção de uma postura critica de analise, contrariamente à que prevalece atualmente-miope e descompassada com nosso tempo-será fundamental.
O SURGIMENTO DA LINGUAGEM
Com o surgimento da linguagem, nasce-se para um novo mundo, sem fronteiras, ligado ao imaginário, aos sonhos e fantasias, aos projetos e pensamentos. Se observarmos bem, o que fazemos com o corpo ou com a mente não são coisas diferentes assim. Quando alguém pensa demais, não se cansa teoricamente: o esgotamento é, sem dúvida, físico. Pensar assim, assim, uma atividade corporal.
OS PERÍODOS DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Após diversos anos aprendendo a se movimentar, a pensar, a sentir e a se relacionar, a criança se vê em condições de estabelecer com o mundo uma relação de igualdade.
A FORMAÇÃO DO SÍMBOLO
A criança constrói mecanismos motores sólidos e sofisticados que lhe permitem entrar em contato com muitas das coisas que existem para se conhecer. Isso, porém, não a satisfaz. Como sua curiosidade não pára, a criança quer ir mais longe.
Uma vez tendo acesso ao símbolo, a criança começa a representar mentalmente as ações que vivem no mundo.
Uma das coisas que explicam o notável desenvolvimento motor que precede a linguagem, é o fato de que o aparelho cognitivo dispõe, para dar conta dos problemas de adaptação, unicamente de recursos sensoriais e motores. Não podendo resolver problemas mentalmente, a criança só pode faze-lo corporalmente. Não podendo fazer falar, tem que fazer. Somente mais tarde, quando surgir a linguagem, essa intensa atividade corporal será parcial e gradualmente substituída pelo pensamento e pela fala.
O MUNDO DA FANTASIA
A criança demonstra que começou a pensar quando inicia conosco uma comunicação em linguagem verbal, social. Nesse momento, ela já tem o que comunicar: fala sobre o que representa de suas ações no mundo. Nessa nova etapa da viagem, a criança penetra num mundo extremamente diferente do mundo dos adultos, que é o mundo da fantasia.
Para quem fantasia, como nossos pequenos alunos, um copo de plástico, que normalmente jogamos fora, pode ser revivido e transformado em algum objeto importante no contexto do brinquedo.
Um brinquedo não precisa ser tecnologicamente sofisticado para ser bem utilizado pela criança.
Não há duvidas de que toda pré-escola tem por objetivo preparar as bases fundamentais para que a criança tenha acesso à leitura, à escrita e ao cálculo. Sendo assim, é evidente que se deve trabalhar com as noções de tempo, espaço e as características físicas dos objetos.
A pré-escola não é uma instituição que existe só para preparar para a escola ou mesmo para a vida. Essa neurose de fixar todo trabalho pré-escolar na alfabetização compromete uma tarefa maior, que é garantir um espaço em que se viva com mais intensidade o presente.
O BRINQUEDO SIMBÓLICO
Uma criança pára de brincar quando termina seu interesse e aí muda de brinquedo.
Dizer que a criança tem acesso ao símbolo é o mesmo que dizer que ela tem acesso à representação mental de suas ações. Há pessoas que não gostam quando dizemos que as crianças muito novas não pensam, mas é apenas nesse sentido, de que não chegam ainda a um nível de desenvolvimento que lhes permita representar suas ações através de imagens. Até aí, sua inteligência se vincula apenas às ações motoras e sensações. Isso é o que se chama inteligência sensório-motora
A inteligência, é um recurso de adaptação ao mundo, seja do ponto de vista físico, seja do ponto de vista mental.
Há autores que consideram o faz-de-conta uma simples deformação da realidade. Mas, se a realidade é uma construção que vai sendo elaborada pouco a pouco por cada pessoa, na primeira infância não há o que deformar, simplesmente porque a realidade da criança ainda esta sendo construída.
Durante o ato de imaginar nada se interpões à fantasia infantil mas, durante a ação corporal que o acompanha, verifica-se uma busca de ajustamento ao mundo exterior, uma espécie de acomodação. A ação imaginada não tem origem na mente apenas, mas na relação concreta da criança com o mundo.
A escola não deveria trabalhar com a criança no sentido de treina-la para ser adulta, mas sim no sentido de a criança construir e reforçar as estruturas corporais e intelectuais de que dispõe.
Compreender a atividade infantil capacita o professor a intervir para facilitar o desenvolvimento da criança.
O brinquedo simbólico é tão rico para o desenvolvimento da criança que uma análise superficial nem de longe chega a aprender todas as suas possibilidades. Quando uma criança começa a ler e escrever corretamente, quando começa a fazer de contas, parece que tudo acontece de repente. Acontece que muita coisa se modifica ate que ela adquira estruturas cognitivas que tenham complexidade suficiente para apreender e reproduzir as linguagens codificadas pela sociedade, seu patrimônio mais comum.
No brinquedo simbólico, na sua construção imaginada e corporificada, a criança vive e representa um sem-número de relações. Saltar um rio largo, atravessar uma ponte estreita, repartir a comida feita, são atividades que materializam, na pratica, a fantasia imaginada, e que retomarão depois da pratica em forma de ação interiorizada, produzindo e modificando conceitos, incorporando-se às estruturas de pensamento.
JOGO DOS OPOSTOS
Uma boa brincadeira para se propor às crianças é o jogo dos opostos ou dos contrario. É um tipo de brinquedo simbólico que tem muito a ver com essa relação atividade corpora/representação mental.
Nos jogo dos contrários, o professor que orienta o trabalho deve ter em mente um tema a ser desenvolvido no contexto do brinquedo. A vantagem do trabalho lúdico é que o prazer conferido pela atividade é muito motivante e estimula a criança a superar dificuldades que normalmente não superaria em outras circunstancias.
O jogo dos opostos pode ser realizado com qualquer grupo de crianças que verbalize. Deve-se ter, contudo, o cuidado de adequar as propostas ao nível de desenvolvimento da criança.
BRINCANDO DE TRÂNSITO
Brincar de transito é muito divertido. Do ponto de vista motor, ficou patente que provocou muita movimentação. Quanto às funções cognitivas, a toda hora as crianças eram obrigadas a definir direções. Havia muita com quanto a organização do transito, pois crianças dessa fase não se encontram em nível de socialização que lhes permita trocas adequadas entre seus iguais.
BRINCANDO DE CIRCO
O circo ainda excita muito a imaginação das crianças, apesar de ser pouco visto nos dias de hoje.
Brincar de circo tem como objetivo principal, o desenvolvimento do equilíbrio corporal, criando situações em que as crianças tivessem que andar por cima de uma trave, de uma linha traçada no chão, de uma corda sobre o solo, etc.
BRINCANDO DE ESCONDE-ESCONDE
O mais interessante nesse jogo é o modo diferente de como realizam em diferentes idades.
As crianças mais pequenas que conseguem realizar esse brinquedo costumam esconder apenas o rosto, julgando que assim o pegador não vê. As crianças um pouco mais velhas escondem parte do corpo. Somente os maiores (final da primeira infância) sabem ocultar todo o corpo, de modo a não serem vistas.
A medida que se desenvolve sua imagem corporal, desenvolve-se também a consideração pelo outro. A segunda criança exemplificada oculta bem mais que o rosto, ou seja, já conhece mais de si, sinal de que também aprendeu a conhecer outras pessoas.
O exemplo da terceira criança é muito significativo. Quando melhor se oculta, maior a evidencia da formação de sua imagem corporal. Não é só sua auto-imagem que esta em jogo, mas também a imagem dos outros com quem ela se relaciona.
MATERIAL PEDAGÓGICO
Walter Benjamin tem uma frase significativa a respeito do brinquedo da criança; " A criança faz a historia do lixo da historia".
Qualquer material pedagógico será rico se for variado. O bom uso do material pedagógico é fundamental para que a escola atinja seu objetivo de estimular o desenvolvimento da capacidade de raciocínio da criança.
Desenvolver a motricidade não é apenas apresentar maior rendimento em determinadas habilidades, significa adquirir melhores recursos para se relacionar com um mundo dos objetos e das pessoas.
PNEUS
Seria muito importante se os professores tivessem a sensibilidade de observar, na própria cultura das crianças que freqüentam a escola, se existem brinquedos em que os pequenos utilizam pneus e quais são eles.
CAIXAS DE PAPELÃO
As crianças usam as caixas de diversas maneiras em seus brinquedos simbólicos e em jogos de construção.
COPOS PLÁSTICOS
Os copos eram são usados em atividades como, equilíbrio, tiro ao alvo, faz-de-conta e jogos de construção.
BASTÕES DE MADEIRA
Quando uma criança brinca de equilibrar bastões na palma da mão, no dedo, na testa, consegue êxito, com mais facilidade, com os mais compridos do que com os mais curtos. Ou seja, sua ação será diferente e mais ou menos dificultosa, dependendo do comprimento dos bastões.
BOLAS DE MEIA
Se pudermos criar atividades que permitam o uso diversificado do material quanto a peso e tamanho, estaremos estimulando a formação da noção de conservação. Imaginem crianças jogando bolas umas nas outras, ora usando um tipo, ora as de outro. Enganar-se-ão freqüentemente por não terem adquirido ainda a noção mencionada, mas as contradições geradas pelas ações as ajudarão a desenvolver gradativamente o raciocínio operatório.
GARRAFAS DE PLÁSTICO
Garrafas usadas de vários pesos, tamanhos e cores, são atividades que proporcionam jogos de construção e inseridas em jogos tradicionais.
SACOS DE ESTOPA
As crianças usam sacos para se esconder, fazer fantasias, cabanas, para puxar companheiros no chão, etc...
OUTROS MATERIAIS
Jornais, toquinhos de madeira aros, etc. O importante é compreender as possibilidades de utilização de materiais variados em Educação Física, e não aceitar apenas as prescrições que alguém possa fazer.
A CRIATIVIDADE DO PROFESSOR
Cada vez que as crianças demonstrarem habilidade para realizar a brincadeira em sua forma atual, acrescenta-se um dado novo, uma variação que implique nova aprendizagem.
O que falta nas escolas, na maioria das vezes, não é material, é criatividade. Ou melhor, falta o material mais importante. Essa tal de criatividade nunca é ensinada nas escolas de formação profissional.
É necessário dar mais atenção ao brinquedo, à atividade lúdica, à cultura infantil, como material de trabalho do professor, nas escolas de formação.
O JOGO DE CONSTRUÇÃO
A criança a partir de cinco anos de idade, mais ou menos, começa a manifestar uma preocupação crescente em realizar com exatidão as construções materiais que acompanham os jogos de que participa.
O jogo de construção estabelece uma espécie de transição entre o jogo simbólico e o jogo social, este, a forma mais evolutiva de jogo, com regras e marcado pela cooperação.
O professor deve sempre conversar com as crianças sobre as construções por elas realizadas durante o jogo. Essa forma de verbalização é um importante fator de tomada de consciência, pelas crianças, de suas ações.
É tão importante aprender a trabalhar (brincar) em grupo, cooperativamente, quanto aprender a escrever, especialmente se considerar a extrema dependência de uma dessas habilidades em relação à outra.
No jogo de construção, a criança apresenta as marcas de seu desenvolvimento no rumo de níveis elevados de sociabilização e de cognição. Ao dispor os objetos em arranjos espaciais, denota a maior ou menor presença de compromisso com a realidade concreta. A fantasia continua, mas a criança pode distinguir cada vez mais entre ela e a realidade.
3. PEDAGOGIA DO MOVIMENTO NA ESCOLA DE SEGUNDA INFÂNCIA. QUEM DEVE DAR AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA?
O quadro de formação de profissionais para o magistério que se apresenta atualmente deixa muito a desejar, porque se mostra muito fortemente carregado de vícios e defeitos. No que tange ao aspecto da Educação que aqui estou julgando indispensável ( a educação motora), tanto nas escola de formação de magistério como nas de Educação Física, nada leva a crer que, a curto prazo, profissionais de um desses setores possam agir com competência.
Decretos, portarias e leis não satisfazem as exigências de competência, assim como contratar professores de Educação Física despreparado para tal função só pioraria o quadro existente. A longo prazo, se houver maior seriedade neste pais no que se refere à Educação, esse problema será resolvido, e o espaço de trabalho deverá ser daquele que tiver mais preparo para ocupa-lo, ou daquele que se encaixar melhor na estrutura que vier a ser organizada.
EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO OU EDUCAÇÃO PELO MOVIMENTO
Talvez a Educação Física não seja só uma educação para o não movimento. Ou seja, pode-se pensar num certo conceito de educação Física em que o não-fazer seja tão importante quanto o fazer.
No meu entender a Educação Física não é apenas educação do ou pelo movimento: é educação de corpo inteiro, entendendo-se, por isso, um corpo em relação com outros corpos e objetos, no espaço. Educar corporalmente uma pessoa não significa provê-la de movimentos qualitativamente melhores, apenas. Significa também educa-la para não se movimentar, sendo necessário para isso promover-se tensões e relaxamentos, fazer e não-fazer.
ATIVIDADES UTILIZANDO MATERIAIS
O importante é que a atividade seja realizada num contexto de jogo, tornado-se significante para as crianças.
ATIVIDADES COM CORDAS
A corda é um dos objetos de brinquedo que mais povoam nossas lembranças de infância. . quase todo mundo sabe brincar de varias maneiras com uma corda. A proposta de brincar com corda dificilmente será estranha ao professor ou às crianças, pois faz parte de nossa cultura.
ZERINHO
O professor não deve dar soluções prontas para as crianças, mas fornecer pistas que levam a soluções, propondo questões mais simples que facilitem a resolução de questões mais complexas.
PULAR CORDA
• Entrar na corda, pular 3 vezes e sair pelo lado oposto;
• Entrar, pular 3 vezes e sair pelo lado oposto sem batida vazia;
• Entrar, pular duas vezes e sair, entrar, pular uma só vez e sair, sem deixar batida vazia;
• Entrar, pular corda uma, duas ou mais vezes e sair pelo mesmo lado;
• Bater a corda "ao contrario";
• Pular deslocando-se ao longo da corda;
• Pular corda realizando giros em torno do eixo longitudinal do corpo.
ATIVIDADES COM BOLAS
Talvez a bola seja o mais importante dos objetos utilizados nas atividades físicas incluídas na cultura do povo brasileiro, assim como na de muitos outros povos em todo mundo.
Sugerimos que sejam utilizados, na medida do possível, bolas dos mais diversos tipos, pesos, cores, tamanhos e materiais.
• bola ao centro;
• bobinho ou João bobo
• revezamento com bolas, em círculo
• revezamento com bolas, em colunas;
• bola 10;
• passe com as mãos.
ATIVIDADES COM BASTÕES
• jogo de equilíbrio;
• pegar antes de cair;
ATIVIDADES COM ARCOS
• pegador ou pega-pega;
• girar o arco.
ATIVIDADES COM LATAS
• escravos de Jô;
• andas ou perna de pau;
• carrinho;
• tiro ao alvo.
ATIVIDADES COM COPOS E GARRAFAS DE PLÁSTICO
• escravos de Jô
• corrida dos números.
4. COMO COMEÇAR, POR ONDE IR?
Por onde poderíamos começar, senão pelo conhecimento que a própria criança possui ao entrar na escola?
No que se refere ao aspecto cognitivo, em primeiro lugar deve-se levar em conta a organização do saber-fazer,o saber corporal, base de toda cognição e fundamental na ação humana por toda a vida.
Nenhuma criança fica esperando chegar o momento de entrar na escola para começar a aprender. O mundo da cultura infantil é muito vasto, mas, ao que parece, invisível para a escola.
Se, por um lado, é necessário compreender o mundo contemporâneo e sua grande influência universalizante, por outro lado, a cultura infantil constitui um elemento de indispensável valor para a sobrevivência da própria cultura adulta.
Uma proposta pedagógica não pode estar nem aquém nem além do nível de desenvolvimento da criança. Uma boa proposta, que facilite esse desenvolvimento, é aquela em que a criança vacila diante das dificuldades mas se sente motivada, com seus recursos atuais, a superá-las, garantindo as estruturas necessárias para níveis mais elevados de conhecimento.
A RESPEITO DO JOGO
Existe muita confusão a respeito dos termos brinquedo, brincadeira, jogo e esporte. As definições dessas palavras em nossa língua pouco as diferenciam.Brincadeira, brinquedo e jogo significam a mesma coisa, exceto que o jogo implica a existência de regras e de perdedores e ganhadores quando de sua pratica. Também esporte e jogo representam quase a mesma coisa, apesar de esporte ter mais a ver com uma pratica sistemática.
"A regra é uma regularidade imposta pelo grupo, e de tal sorte que a sua violação representa uma falta".É como Piaget define a regra, característica principal das relações dos indivíduos em sociedade, os quais, quando jogam, o fazem socialmente.
Num contexto de educação escolar, o jogo proposto como forma de ensinar conteúdos às crianças aproxima-se muito do trabalho. Não se trata de um jogo qualquer, mas sim de um jogo transformado em instrumento pedagógico, em meio de ensino.
5 – COGNIÇÃO
Toda a ação torna-se possível porque houve uma coordenação que ligou os movimentos. Essa coordenação é uma espécie de saber corporal que orienta a ação.
O sujeito que pensa é um viajante, mas um viajante de um tipo muito especial. Ele tem o poder de empreender a viagem de volta todas as vezes que se perguntar o que aconteceu durante sua jornada, que foi percorrida de forma a lhe proporcionar êxito ou fracasso. Além disso, repete a viagem, em idas e vindas sucessivas, até que possa compreender com detalhes os episódios.
O jogo de amarelinha, por exemplo, este jogo exige da criança coordenação espacial.
"Falar de tomada de consciência pode evocar imagem de alguém voltando-se para dentro de si. No entanto, entendo que a tomada de consciência emerge de uma relação, na qual o foco da consciência dirige-se igualmente para o interior do sujeito e para o objeto de sua relação. Ou seja, tomar consciência de si e ao mesmo tempo tomar consciência do mundo em volta." (Piaget).
Uma das maneiras de ensinar o salto em distancia a alguém é o adestramento. Outra é a compreensão dos elementos envolvidos na atividade, com tempo, espaço, o próprio corpo, enfim, explorando a inteligência do praticante. A educação física tradicional, porém, tem demonstrado uma opção pela primeira.
O conhecimento é terminal. Tudo o que se aprende serve para se aprender mais. A decisão depende de escolher o que aprender, opção a que dificilmente o aluno de uma escola tem acesso.
6 – MOTRICIDADE
"O homem em si e a partir de si, está dotado de uma orientação e de uma capacidade de intercâmbio com o mundo, e toda sua motricidade é uma procura intencional do mundo que o rodeia... para realizar, para realizar-se". (Manuel Sergio).
O simples movimento corporal, aquele que se vê nos atos, ainda não revela o homem. O que está faltando numa concepção de Educação Física que privilegie, acima de tudo, o humano, é ver além do percebido, é ver o movimento carregado de intenções de sentimentos, de inteligência e de erotismo.
O professor deve preocupar-se, que seus alunos expressem, num adequado nível de desenvolvimento, os movimentos que ele considera básicos: andar, correr, saltar, girar, lançar, pegar etc.
Se há uma coisa maçante para a criança, numa aula de Educação Física, é o correr por correr. Aquelas infindáveis voltas que se dão em volta de um terreno para se aquecer ou melhorar a resistência, só fazem prosseguir a rotina monótona que geralmente caracteriza a escola.
Também se pode praticar as atividades de saltos, como aumento em distância, aumento em altura, pular corda; atividades de giros como basquetebol, futebol, gato e rato, atividades com lançamentos, estourar balões etc.
7 - A QUESTÃO DA COMPETIÇÃO
A competição não nasce no jogo, mas é nele associada. A competição, como atividade de jogo, sempre existiu.
O que acontece é que a competição lúdica tem exercido funções importantes: no mínimo, a de manter nas pessoas e na sociedade, uma característica que, na sua ausência, poderia ter-nos custado à própria existência enquanto espécie.
"Dificilmente se encontrará um campo de vida humana sobre o qual o impulso competitivo não influa". (Lorenz).
O que é inegável, e não pode ser negado na escola, é a existência, na cultura infantil, dos jogos competitivos, particularmente da segunda infância em diante, quando começam a seguir os jogos sociais.
Professores realmente preocupados com o desenvolvimento das características humanas, ao invés de tentar eliminar o caráter competitivo dos jogos, deveriam procurar compreendê-lo e utiliza-lo para valorizar as relações. Creio ser mais educativo reconhecer a importância do vencido e do vencedor do que nunca competir.
8. A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA DE 1º GRAU
A mão escreve o que a mente pensa a respeito do mundo com o qual a criança interage. Nesse pequeno exemplo, resume-se a conexão ato-pensamento-ato. Conteúdos sem significado sejam eles de ordem cognitiva, social ou moral, quebram essa harmonia tão necessária a um bom desenvolvimento.
Essa coordenação é uma espécie de saber corporal que orienta a ação. A ação, uma vez realizada, acaba, mas, de sua coordenação o sujeito abstrai e incorpora elementos que serão o material de reflexão, de seus pensamentos.
CORRIDAS DE REVEZAMENTO
Organizam-se as crianças em duas ou mais colunas, de frente para pontos de referência ( 10 ou 15 cm ). Ao sinal, os primeiros alunos partem, correndo, contornam o ponto de referência e retornam as suas colunas, assim sucessivamente, até que todos cumpram sua parte na tarefa. Vence quem termina primeiro o que foi proposto.
Para as crianças, resta a tarefa de correr o mais rápido possível. A organização fica por conta do professor.
Sugerimos que as crianças se organizam, que as regras sejam definidas por elas, que elas possam decidir sobre os resultados.
VARIAÇÕES DAS CORRIDAS DE REVEZAMENTO, QUICANDO UMA BOLA NO SOLO
A corrida da-se quicando uma bola, que será entregue ao próximo companheiro.
Essa atividade contempla não só o mais veloz, mas uma nova habilidade motora. É comum de as crianças reclamarem dos companheiros que fracassam,. É diferente a "bronca" que vem do companheiro da mesma idade daquela que vem da figura do professor.
Pode-se discutir com elas a hipótese de troca constante de pessoas de uma coluna com outra.
USANDO BOLAS DIFERENTES
Outra variação é deixar na mão da criança que inicia a corrida uma bola grande e leve e, no ponto de referencia, uma outra bola grande e pesada, que possam ser quicadas. Devem quicar a bola até o ponto de referência, trocar a bola e voltar quicando.
Essa atividade tem muito a ver com o desenvolvimento cognitivo, ajuda a promover o desenvolvimento da noção de conservação.
MUDANDO AS TRAJETÓRIAS
Fazer mais de um ponto de referencia, em direções diferentes. Pode-se fazer essa atividade correndo livremente ou quicando uma bola.
As sucessivas mudanças de direção solicitam do individua mais agilidade que em linha reta ( organização espacial).
CONDUZINDO BOLA COM OS PÉS
Pode-se realizar as formas de revezamento com a bola utilizando os pés. As atividades com as partes de baixo do corpo provocam envolvimento afetivo. As partes inferiores são consideradas nobres. Abriga os instintos, o sexo, a ligação com a terra: todas as coisas de pouco valor na sociedade ocidental.
OUTRAS ATIVIDADES COMPETITIVAS
Constataremos a presença freqüente de atividades competitivas individuais ( apostas de corrida, o esconde-esconde, o pegador, a amarelinha...) e coletivas ( futebol, taco, queimada, salve...).
9. SOCIALIZAÇÃO
Freud dizia que a vida de um adulto seria inviável se um filho seu pudesse realizar,sem restrições, todos os seus desejos. A educação deveria encontrar a medida entre a necessidade de realizar os desejos e as normas que regulam a vida em sociedade.
Uma das diferenças básicas entre o comportamento social da criança da primeira infância e as da segunda é que aquelas se consideram o centro de todas as coisas. Tudo gira ao seu redor e depende delas. As mais velhas saem dessa posição e passam a integrar um espaço que não tem mais centro.
O desenvolvimento não se processa de acordo com uma simples relação matemática, mas em produções que têm a ver com as condições biologias, sociais, ecológicas, econômicas, culturais, etc. Na escola, aos 7 anos, espera-se que, por terem essa idade e se situarem teoricamente na segunda infância, tenham atingido um nível de socialização compatível com o convívio em um mundo socializado. Patrimônios, como a linguagem falada e a escrita, a Matemática e as Ciências, exigem um sujeito que possa partilhar com os outros num nível bastante elaborado de socialização.
Florestan Fernandes diz que brincando a gente tem espaço para aprender; trabalhando, a pressão do rendimento suprime boa parte desse espaço. As crianças brincam de serem adultos. O que é serio para nós, para elas é brinquedo, o que não quer dizer que tudo o que fazem é brincar. Parte da transmissão da aprendizagem que se dá no espaço privilegiando a cultura infantil.
Piaget escreveu: " basta observar um bebê de dez a doze meses para notar a quantidade desses rituais que anunciam as regras dos futuros jogos". Os indícios do comportamento social da criança são visíveis desde cedo, bastando que se observam com atenção seus atos.
Le Boulch preocupou-se com as questões mais diretamente ligadas a Educação Física: " Desde cedo o inicio do desenvolvimento psicomotor inicia-se o processo de socialização, uma vez que o equilíbrio da pessoa só pode ser pensado pela/e na relação com outrem".
É na fase escolar que congrega crianças de 7 até 11 anos mis ou menos, que a regra, tal como deve ser utilizada socialmente, se manifesta com evidência. A ação da professora não seja simplesmente submeter as crianças às regras adultas, mas sim, estimula-las a utiliza-las como recurso de convívio.
Nem toda criança com idade escolar consegue praticar as regras, ter ou não condições dependerá das condições anteriores de vida. A escola não colabora muito com a socialização de seus alunos, mantendo-os imobilizados em carteiras, além de impor tarefas individuais.
A maneira mais eficaz de levar um indivíduo a integrar-se num grupo é desenvolver primeiramente suas aptidões pessoais e consolidar sua "imagem corpo".
ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO FÍSICA QUE ENVOLVE A SOCIALIZAÇÃO
"O divertimento específico do jogo deixa assim de ser muscular e egocêntrico para tornar-se social" ( Jean Piaget).
Em momentos que crianças mais novas ( 7, 8 e 9 anos) e mais velhas ( 10 e 11 anos) jogam juntos os mais velhos não passam a bola para os mais novos. Os maiores passam mais tempo discutindo e os mais novos jogando.
Qualquer que seja a atividade proposta pelo professor ou pelas crianças, num espaço de autonomia, haverá sempre motivo para que as regras sejam construídas e praticadas, para o estabelecimento de normas que regulem as relações de grupo.
PEDIR ÀS CRIANÇAS QUE SE ORGANIZAM EM GRUPOS
Ao invés de se proceder de acordo com a tradição da Educação Física, em que o professor organiza os grupos, pede-se que as próprias crianças o façam.
PROPOR QUALQUER JOGO, SEM ESTABELECER AS REGRAS
De que adianta praticar o jogo com regras se, sendo estas a característica mais marcante do jogo, da segunda infância em diante.
Diante da necessidade de jogar em grupo, a criança não tem escolha: ou desiste da idéia ou constrói as regras de que necessita para levar adiante sua prática, a menos que apareça um professor que lhe impunha todas as regras..
O papel do professor passa a ser muito importante: intermediar as discussões.
FUTEBOL AOS PARES
Mais aplicável aos alunos mais velhos, de 10 a11 anos, é realizado por duplas que entrelaçam os braços e assim jogam o tempo todo.
O jogo é bastante divertido e tem uma característica muito especial: não privilegia apenas os mais hábeis em futebol.
CORRIDAS DE ESTAFETAS
"... não é uma simples competição que constitui o motor afetivo do jogo. Procurando vencer, a criança se esforça, antes de mais nada, por lutar com seus companheiros observando as regras comuns". (Piaget)
10. AFETIVIDADE
A afetividade é o território dos sentimentos, das paixões, das emoções, por onde transita medo, sofrimento, interesse, de alegria.
A afetividade do educador é colocada em evidencia, mais que nunca, quando a realização de atividades de Educação física. Lidar com os corpos em movimento não é o mesmo que faze-lo quando são obrigados a permanecer imóveis, olhares fixos no quadro-negro ou cabeças baixas sobre os cadernos.
Promover atividades recreativas para "passar o tempo" das crianças equivale a camuflar o problema, e não a ter coragem de lidar com ele.
É preciso mais que um conhecimento metódico de técnicas de dar aulas para formar um educador, seja em sala de aula seja no pátio de Educação Física. Uma relação educativa pressupõe o conhecimento de sentimentos próprios e alheios.
Para orientar atividades físicas é preciso ter disponibilidade corporal, mas isso não se consegue apenas pelo desejo de tê-las: as escolas de formação de magistério e as faculdades de Educação física deveriam preparar seus alunos para terem essa disponibilidade. Por enquanto, o corpo é uma questão ausente nas escolas de professores, paradoxalmente, o corpo é rejeitado.
Em nosso trabalho nos deparamos com crianças muito agressivas, entendendo o desequilíbrio apontado pela psicanálise entre libido e agressividade. Independente de qualquer conceito teórico prévio entendemos que lhes falta um exercício de amor, carinho, atenção e justiça.
Entre tantos componentes do programa pedagógico de Educação Física, a agressividade foi incluída como prioritária. Percebemos que, em várias ocasiões de brinquedo e jogo, havia espaço para as crianças agredirem simbolicamente, que era o que nos interessava: ao chutar bolas, lutar corpo a corpo, batucar com paus em caixas e latas, arremessar objetos contra alvos.
O URSO PEGADOR
Estávamos pensando em propor às crianças um brinquedo de "pegador", quando surgiu a idéia de inseri-lo num contexto de faz-de-conta. Sugerimos que o pegador seria um bicho do qual as crianças teriam que fugir. Ficou combinado que o urso iria para a toca dormir. Se seu sono fosse perturbado, o urso ficaria feroz e pegaria as crianças que pudesse alcançar, levando-as para sua toca a fim de devora-las.
Depois de algum tempo brincando, o urso mostrou-se cansado. Aí as crianças o caçaram e "mataram". Levaram-no morto para a toca e o fizeram viver de novo, com muita festa.
As crianças puderam, nesta atividade exercer sua agressividade. Num contexto simbólico de faz-de-conta. Depois de algum tempo as crianças não pediram mais essa atividade. Foi a ocasião em que estiveram mais amorosos mais próximos do professor. Já dava pra pensar mais seriamente em desenvolvimento cognitivo.
Quando o material é o amor, o instrumento a perseverança, o tempero a dignidade, o método parece que não é o grande problema.
A exemplo do que temos constantemente verificado nas atividades lúdicas infantis, no jogo a criança finge que machuca, que mata, que prende, como na brincadeira de pegador em que este era um urso ou um leão. Quanto de pressões acumuladas em seu cotidiano a criança não alivia na realização de seu brinquedo? Quantas atividades proibidas não serão exercidas no espaço lúdico do brinquedo?
Para Carlos Byngron " praticamente todas as emoções humanas podem ser objeto de elaboração, aprendizado e controle durante o jogo.
AS RELAÇÕES ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA E AS OUTRAS DISCIPLINAS DA ESCOLA
Dizer que a Educação Física é importante porque faz a criança usar a energia excedente, ou porque desenvolve a disciplina, o companheirismo, a responsabilidade, não chega a convencer ninguém de sua importância na escola. Isso tudo é muito vago e discutível.
A escola exige que a criança leia, escreva, calcule, enfim, que compartilhe símbolos, linguagens comuns a uma sociedade. Paradoxalmente, essa atitude socializada deve ser praticada em carteiras que isolam as crianças uma das outras e através de tarefas individuais. Em resumo, exige-se uma atitude socializada através de práticas individualizantes.
A importância de demonstrar as relações entre os conteúdos da disciplina de Educação Física e os das demais disciplinas reside, não na sua importância como meio auxiliar daquelas, mas na identificação de pontos comuns do conhecimento e na dependência que corpo e mente, ação e compreensão, possuem entre si.
BOCA DE FORNO
"Boca de forno – forno - darei um bolo – bolo – fareis tudo o que o rei mandar? – Faremos. – Então, corram até..." (e aí vai uma ordem qualquer para o cumprimento da tarefa).
Todo conhecimento lógico-matemático da criança forma-se basicamente a partir da atividade de classificar e seriar.
Um problema aparentemente simples, como separar objetos por cores, exigirá adaptações diferentes de esquemas se a situação mudar, Por exemplo, da sala de aula para um espaço aberto, de tarefa individual para uma coletiva, de uma postura sentada para uma em movimento e assim por diante.
direitos humanos. A Educação física, como alias todo o conjunto da Educação brasileira, não fugia a essa regra. Meninas e meninos tinham e continuam tendo que fazer aulas de Educação Física separados.
A analise critica da legislação sobre Educação Física no Brasil terá de ser feita em trabalhos devotados especialmente a esse assunto, por pessoas competentes e de visão ampla. Em parte, um trabalho de autoria de João Bosco da Silva, em 1983, levantou esse problema de forma teórica, embora ainda exista um véu escuro sobre a historia de nossa Educação Física.
SEPARAÇÃO ENTRE MENINOS E MENINAS
Defender a idéia de que meninos e meninas devem ter aulas de Educação Física juntos não quer dizer que não reconheçamos as diferenças entre um e outro sexo. Claro que elas existem, especialmente biológicas. Porém, essas, como outras que possam existir, como as psicológicas, não são impedidas de uma Educação Física sem descriminações.
Tudo leva a crer que na escola primaria, na segunda infância, não haveria por que, do ponto de vista da sexualidade, preocupar-se com as atividades conjuntas de meninos e meninas, mesmo naquelas de maior envolvimento corporal. Afinal, estão no período de latência, não havendo uma sexualidade manifesta.
Quaisquer que sejam os argumentos em favor da separação por sexo na escola, eles nunca serão mais fortes que a invocação do prejuízo que já tem acarretado em nossa sociedade essa divisão hierárquica de papéis.
O ESPAÇO DO CORPO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
O item IV do Decreto 69.450 regulamenta o uso do espaço para atividades físicas na escola: "Quanto ao espaço útil, dois metros quadrados de área por aluno, no ensino primário, e três metros quadrados por aluno no ensino médio e no superior".
Diante de uma legislação tão restritiva como essa, pode-se até pensar que ele teria origem na insensatez de algum legislador despreparado para o assunto. De minha parte, não creio que seja assim. As suas raízes provavelmente são mais profundas, e dificilmente se poderia entende-la sem uma análise histórica da submissão ao poder que os corpos têm sofrido em nossa civilização.
Resta aos alunos o espaço da aula de Educação física. Essa disciplina, no entanto, descende da organização escolar que vem em parte das escolas religiosas, e em parte dos quartéis. Durante muito tempo no Brasil adotou-se oficialmente para a Educação física o método francês, desenvolvido numa escola militar francesa. Portanto, não se poderia esperar nada a não ser um espaço celular, rigidamente controlado também para as atividades físicas.
Os procedimentos pedagógicos, os conteúdos da disciplina, a organização das atividades, criam um espaço disciplinar que, seguramente em boa parte dos casos, acaba por cumprir fielmente as determinações legais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar de haver um entendimento geral quanto à importância das atividades físicas na educação das crianças, essa disciplina é ainda objeto de um descaso muito grande. Na verdade, a Educação Física que as pessoas do meio educacional e a sociedade em geral conhecem é essa que todos cursamos um dia, rígida, militaresca, discriminadora.
Uma criança chega a escola sabendo alguns números. Com eles aprende algumas contas, processo que estimula seu raciocínio, fazendo com que aprenda contas mais complicadas, e isso não pára nunca enquanto ela estudar. Espera-se que essa criança saiba aplicar esse conhecimento na sociedade em que vive. O mesmo se dá com letras e palavras. Com atividades corporais, deveria ocorrer progresso semelhante: a criança sabendo algumas brincadeiras, melhora sua habilidade naqueles que sabe, com isso aprende outros, é só lançar desafios e aprimorar as atividades. As disciplinas deveria se entrelaçar num todo que garanta ao aluno uma vida de participação social satisfatória, de dignidade, de justiça, de felicidade.
O papel da Educação Física na vida escolar do aluno é de suma importância, pois as atividades físicas ajudam desenvolver também o cognitivo da criança.
Na escola ela tem oportunidade de ser trabalhada de acordo com sua idade, sua cultura e aperfeiçoando assim um espaço com mais autonomia.
O papel do professor é criar no aluno condições de equilíbrio, desenvolver a interdisciplinaridade.
Numa Educação voltada para a autonomia e para o pensamento critica, os professores ensinam as crianças a ser atentas, não só ao que se passa a sua volta, mas ao que se passa com elas mesmas, nas ações que realizam.
O papel que a escola tem nessa Educação para a democracia passa pelo respeito à criança. Se, nas suas atividades, os alunos não puderem discutir suas normas de conduta no período de vida em que isso é ais favorável, não se pode afirmar que se educa para a democracia.
A criança é um ser humano, bem diferente dos animais irracionais. Crianças são para serem educadas, e não adestradas. As atividades da criança devem se caracterizar por seu aspecto humano. Na verdade, o que a escola deve buscar não é que a criança aprenda esta ou aquela habilidade para saltar ou escrever, mas que através dela ela possa se desenvolver plenamente.
A criança compreende aquilo que vive, que concretiza na sua ação. Quando, num contexto de jogo, o professor oferece materiais variados, que inclusive se confeccionados junto com a criança, está permitindo que elas possam vivenciar e tomar consciência de realidade concreta, transformando o real em função de suas necessidades.
A competição exige a presença do outro. A competição ganha características de verdadeira cooperação. Creio que a escola deveria explorar principalmente esse aspecto do jogo competitivo ( Jean Chareau).
Piaget descreve como "... jogos de combinação sensório-motoras ou intelectuais, com competição dos indivíduos e regulamentados quer por código transmitindo de gerações em gerações, quer por acordos momentâneos".
Atividade física: uma questão de saúde e bem estar
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